American Speaking Portuguese | Uncle Brazil Podcast #14

Learn Portuguese in less tha a year!

Audio transcript

Fala pessoal! Bem-vindos ao Uncle Brazil Podcast. Aqui é o melhor lugar para aprender português e para conhecer um pouco mais sobre esse mundo chamado Brasil. O link com a transcrição dessa entrevista está aqui na descrição desse Episódio. Hoje eu trouxe o meu aluno Paul que já fala português num nível avançado pra contar um pouquinho da um pouco da história dele.

Fala, Paul. Boa noite! Tudo bem com você? Oi Rodrigo, boa noite. Tudo ótimo aqui, obrigado como está  você? Por aqui tudo tranquilo, estou muito feliz da gente tá aqui reunido hoje para  conversar a respeito um pouquinho da sua experiência com o português, com Brasil porque  você é um cara que fala português no nível muito avançado. Você fala quase sem sotaque Eu acho isso muito interessante e eu queria entender um pouco melhor como foi esse processo para  

você. Então eu queria muito agradecer a sua presença aqui, o seu tempo para trocar essa  ideia comigo. Tá bom, Paul. Obrigado você. O português é uma coisa que dura a vida inteira, né?!  Então sempre tem coisa para aprender e melhorar, então. Inclusive eu! O próprio nativo sempre tem  

coisa para melhorar! Igual para mim em inglês. Nossa! É a vida, né? É a vida. Paul, eu queria  que antes primeiro você se apresentasse, falasse de onde você é. Fala para a sua idade. Me conta  um pouquinho sobre você, por favor.

Bem, o meu nome é Paul, eu sou Americano, eu nasci nos Estados Unidos.  Estado de Mishigan, não sei se pessoal vai conhecer mas fica mais no norte do país.  

De fato a fronteira canadense estava a uma hora mais ou menos da minha casa. Então lugar  bastante frio e agora estou morando e trabalhando na fronteira mexicana Eu trabalho na indústria de  carros automotrices então a gente sempre tem muita coisa de idiomas e oportunidades internacionais e  

foi por isso que eu comecei a mexer com os idiomas. Me diz, então: por que você começou a aprender português?  

Foi bastante orgânico, eu diria. Porque eu comecei com a espanhol. O espanhol  é um idioma super comum aqui até uma língua Franca dependendo da região. Então realmente  um diferencial, né? Para americano que fale, né? Ah, tá bom, tá certo. Você pode viajar até ou inclusive  trabalhar com uma comunidade super importante aqui no nosso país mas é na faculdade, sabe, eu  comecei a fazer uma pesquisa para o meu ts, esse é o que chamamos aqui seria como o tcc no Brasil  e eu fazia essa pesquisa e tinha monte de fonte e informação de algum país pequeno chamada  Brasil e eu estava lendo as fontes, as informações e percebi que idioma um pouco diferente eu até entendi um pouco, né? Mas, lógico, português é outro idioma então eu comecei a mexer assim bastante  

orgânico e fiquei curioso, né? Aí eu levei anos estudando espanhol, América Latina, mas nunca  mexendo tanto tanto português e foi assim que de curiosidade. Caramba, que interessante!  

Então foi meio que por acaso. Por acaso. E assim, foi na biblioteca, eu procurei alguns  livros bem antigo dos anos 70, né? alguns “readers”, chamamos em inglês, só para ensinar o básico, sabe?  “Tudo bem?, Oi. Como você?” O básico eu tô português e certos pontos gramaticais. Você fez  faculdade de quê? De espanhol. Espanhol e biologia. Bom e o que você tava pesquisando para encontrar  Fontes em português? É… bem. É porque nos Estados Unidos, se uma pessoa quiser, tem como fazer estudos  como mais diversos, né? Especialmente no tcc, ou seja, o projeto final. O pessoal pode pesquisar  o que realmente interesse. Daí eu trabalhava com ONGs, né? É… em saúde pública. É… procurando melhorar  tipo situação econômica, a saúde essas coisas. Procurando informações de relações internacionais  de ONU da ONU né de OMS acho que se chama OMS. Eu acabei aprendendo  mais sobre o Brasil. Nossa, que interessante. Então  hoje em dia você trabalha na indústria automotiva mas você fez faculdade de espanhol. Foi uma mudança meio drástica quando eu me formei. Eu  precisava de trabalho, sabe? Eu estava pagando meus estudos e… bem, eu comecei a trabalhar  em comércio exterior. Eles queriam uma pessoa que saiba um pouco de idioma que consiga falar  com o México né fornecedores mexicanos no caso e foi assim. Eu comecei no telefone, né? Ligando  todo dia “precisamos de X documentação, pode  entregar para x data, blablabla” foi assim: bastante simples no início. Você tá com quantos anos hoje? 29. Você fala Inglês Espanhol e Português? É.  

Então vamos lá: há quanto tempo isso aconteceu? Quando foi seu primeiro contato com português?  Diria, desculpem, 22 anos. Eu estava a formar. Vamos lá. Tá, então você já tem contato com  o idioma há sete anos mais ou menos. É, diria. Assim, você achou lá a fonte em português começou a procurar livros a respeito disso, né? E a partir daí o que você fez para, “Não, gostei desse idioma quero começar a estudar” O que você fez para realmente se dedicar ao idioma?

Qual foi seu método, como que você fez para chegar nesse nível que você tá hoje, entendeu? Sim.  Eu sabia que eu ia precisar de contato com nativo, né? Não tem como evitar isso. Para muita pessoa, inclusive para mim, era uma coisa que causou certa preocupação, estresse, né? Conseguir se comunicar  

sem errar demais. Mas com espanhol eu já consegui superar isso um pouco então eu me dediquei um pouco de tempo conhecendo a gramática e depois eu fui direto para tipo esses aplicativos italki. Italki já mudou bastante não tem assim essa função digamos de intercâmbio é…mas no tempo, naquele tempo. É, era como uma comunidade, né? Ah, agora tem tipo esse Tandem, né? Acho que se chama ele tem um monte de aplicativo de Nativo que quer praticar com qualquer… praticar qualquer idioma. Então foi assim principalmente que eu aprendi e o fiz um pouco de estudos digamos durante Nem sei quantos meses com uma escola em Curitiba mas realmente não era a minha praia digamos assim eu preferia praticar com nativos sabe, né? E fazer essas ligações com o país. Tá, e  

já que você queria esse contato com nativos o que você fez? Bem, conversa né? Conversa quem eu sou, o que gosto. Nesse momento que você decidiu vir morar no Brasil? Não. Isso veio muito depois, sabe?  Viver no Brasil e é muito interessante porque eu me dediquei durante muitos anos estudando o idioma inclusive antes de ter oportunidade de chegar no Brasil. Primeira vez que cheguei foi pelo trabalho. Eles me enviaram por uma auditoria não tem muito americano aqui que fala português, né? Então realmente é um diferencial. Até nem falava muito bem direito, sabe? Tipo nível intermediário B1, B2. Dependendo do dia e me enviaram. Essa empresa que você tá hoje? No passado, a outra empresa. Então, beleza. Você estudou por conta própria, é autodidata.  É. Bem, tirando essas lições que fiz em Curitiba. Então você chegou num certo nível que a sua empresa te mandou pro Brasil. Foi. Como um feedback positivo, né? Ah, tipo: você vai no rumo certo, segue assim Nessa época você veio pra onde  no Brasil? Sao Paulo. Sao Paulo realmente  é o polo industrial, pelo menos automotivos, no Brasil fica em São Paulo. E como que foi sua  experiência aqui, Paul. Te digo: eu sou bicho do mato, né? Então foi bastante interessante. É uma salva de concreto realmente em São Paulo Então esse bairro…. como se chama… é tipo esse centro industrial e fica na Avenida Paulista, né? Só são imagens tipo super conhecidas, sabe? Ao redor do mundo então foi super impressionante para mim conhecer finalmente wow. É assim que é esse lugar, sabe? só vendo a imagens na internet antes então acho que bem foi bom trabalhar mas o mais incrível foi estar aí simplesmente. Você ficou aqui quanto tempo? Foi só uma semana mas  já fiquei com esse bug, né? Eu fiquei viciado, né? E queria mais. E aí você acabou voltando para cá. Como que foi? É, acabei voltando dessa vez com outra empresa. Todo esse tempo eu continuava estudando melhorando meu português e eu finalmente consegui trabalhar com nova empresa que digamos  tinha maior presença no Brasil. Várias operações, uma sede, uma fábrica. Então realmente foi coisa  que chamou a atenção e virei um bom candidato para esse trabalho, então. De fato no mesmo mês, sabe,  eu recém-chegado nós vamos para Campinas, Paul, onde tem a sede. Eu comecei a trabalhar e apoiar a  Auditoria. Legal. E aí você ficou assim quanto tempo dessa vez? Essa vez, uma semana. É assim com a  auditoria: você visita e volta, vai e volta e voltei ao mês seguinte, essa vez aproveitando para conhecer  

outros cantos então foi assim. Você ficou indo e voltando Então por um tempo aqui no  Brasil? Sim, por um tempinho sim. E qual foi a vez que você ficou mais tempo aqui no Brasil?  É o mais tempo e ironicamente graças a covd, né auditoria começou a trabalhar no virtual, sabe? Daí  eu tinha flexibilidade de localização. Eu fiquei três meses. Três meses no Brasil. Agora deixa eu  te fazer uma pergunta. Tá, Paul? O quão importante foi essa sua experiência aqui no  

Brasil para o desenvolvimento do seu português? Essencial. Essencial. Eu acho que para a maioria de  estudante o problema principal é tipo essa motivação? Por que estou aprendendo? Por que estou  estudando esses pontos de gramáticas? São chatos.  Sabe, né? Não adianta porque estou seguindo assim  

mas quando a pessoa realmente viaja, consegue se comunicar, sabe? Com nativo. Fazer ligação e  as pessoas ficam com um porque voltar, né? Realmente tudo vale a pena de repente, entendeu? Essa pessoa  tem o contexto do idioma. Tem o porque, né? É como se você tivesse desenvolvido  um ano em três meses. Você consegue avançar mais ainda, né? Tipo imerso no idioma. Não tem como  esquecer, né? Essa experiência é impagável, né? Porque você consegue evoluir muito. Graças a Deus  eu já tive oportunidade também. Por exemplo: eu morei um ano da Bélgica. Onde eu morava eles  falavam francês, que era em Bruxelas. Nossa cara, emum ano foi só falando francês, só ouvindo francês  então eu consegui chegar no nível muito legal por causa disso. É exponencial, né? É um nível  

que talvez eu não tivesse chegado se eu se eu não tivesse ido para lá, entendeu? Que eu não chegaria  se eu não tivesse ido para lá. Tá me entendendo? Se eu tivesse ficado só estudando aqui eu  não chegaria nesse nível então eu acredito que com você tenha sido parecido, né? É o diferencial. Assim como com todo mundo que passa por esse tipo de experiência, né? Deixa eu te fazer uma  pergunta, Paul: Estados Unidos e Brasil. Duas culturas bem diferentes, né? O que você achou assim de mais  estranho quando você passou aqui por todo esse tempo? Uma semana não dá muito para perceber, eu  acho, né?! Mas apesar de você tá trabalhando, você tá com foco só no trabalho, beleza. Mas não dá  muito para ter essa perspectiva. Agora, três meses, já pode falar que morou aqui três meses, né? Sim  Certo, pergunta difícil, né? mas  é um pouco engraçado, né? Ah, mas eu até avisei aos  meus pais e eu levei os meus pais para o Brasil para conhecer a minha noiva e a família dela.  E a coisa eu dei um aviso para eles, para os meus pais, e tem a ver com um banheiro, né? Certa ética no  

banheiro. Que por causa da, como chama… tuberia, né?!  Diferente tentar. Tem essa negócio aqui é um  pouco diferente e um aviso para os pais mas fora isso realmente sempre vai ter coisinha, né?  E que chama a atenção mas isso é coisa esse é o que me chamou atenção do Brasil.  Embora que tem essas diferencinhas sempre você sempre entende a pessoa. Não é tipo como  se fosse os Estados Unidos mas com outro sabor. Não sei se me explico bem eu ainda entendo sabe  

por exemplo a família brasileira eu ainda entendo os meus amigos e que temos valores muito parecidos  É sim sempre vai ter diferencinha de opinião, de política essas coisas mas não. Para mim não foi a coisa mais marcante das minhas experiências. É interessante porque tem uma coisa assim que me chamou muita atenção, né? Aqui no Brasil, mesmo se  você não conhece a pessoa, você dá bom dia, né? Você  passa pela pessoa: “bom dia, bom dia” .No elevador “bom dia, bom dia” mesmo sem conhecer a pessoa e  na Bélgica eu estranhei porque não era assim, entendeu? Então eu tava no elevador aí entrou  uma pessoa. Nem falou comigo, cara. Virou de costas. Aí, eu: “caramba”! Eu estranhei, sabe? Há uma diferença  Umas pequenas diferenças assim culturais, né? Que  sei lá. Mas engraçado. Você falou que a sua noiva ela é brasileira. É brasileira. É nordestina. Você a conheceu aqui nesse período que você ficou de três meses? Sim, eu estava com… eu conheci ela durante outra viagem mas eu cheguei para ficar com  ela e a família dela. Que legal, cara. Então, olha só. Olha, é… assim: aprender um idioma novo é viver uma vida nova. É uma vida nova, né? Porque olha só as coisas que esse novo idioma te proporcionou, né? Te proporcionou conhecer o Brasil, te proporcionou conhecer uma cultura nova, te apresentou uma pessoa, uma mulher que talvez você nunca conhecesse, né? Talvez você nunca tivesse conhecido se não fosse o idioma, né? Nossa! Essa é  a parte mais bonita, assim, de aprender um idioma. Eu sei que eu não sou o único nisso. Todas as pessoas que realmente se dedicam tanto a um idioma eles vão ter histórias assim, sabe?  Que realmente foi uma transformação fundamental  da vida, né? Então é por isso que qualquer pessoa que tem interesse, que conheço na minha  vida, no meu dia a dia, eu recomendo, sabe? Qualquer idioma, faça! Se tiver interesse, faça! Porque nunca  sabe. Pelo menos um, né? Pelo menos um. Nossa, pelo menos um. É muito interessante: ativa áreas do cérebro  que… meu Deus! É para você ficar mais Alerta, mais acordado. Só para finalizar Deixa eu entender uma  coisa aqui: eu tenho alunos de diferentes partes do mundo, de diferentes níveis, né? Então cada um tem uma dificuldade diferente: uns têm mais dificuldade com a pronúncia, outros têm mais dificuldade com a gramática. Eu queria saber para você o que foi o mais difícil do idioma?  Bem, duas coisas. Sabem ,eu consigo pensar em duas coisas imediatamente. Vai ter outras  também. Mas a primeira é que o português são vários portugueses, sabe?  No idioma português. Tem o português que você vai aprender no livro de gramática  mas quando você chega em Copacabana ou qualquer  canto o que você está ouvindo É outra coisa. É outro português. Isso acontece em vários idiomas, né? Até o meu inglês: tem inglês caipira, né?  

É muito difícil para pessoal entender mas enfim, acontece .Mas é uma dificuldade para estudante. A  outra coisa é, pessoalmente para mim, como nativo de inglês, o subjuntivo: sempre difícil. E é como  eu falei: eu comecei com espanhol e eu me pensei muito inteligente. Não, só que não. Mas  eu pensei que eu já tinha uma certa compreensão do que é subjuntivo. Só que entre espanhol e  português tem várias diferenças, né? Aplicações. No português usa subjuntivo do Futuro, sabe? Em  espanhol é obsoleto. Então essas diferenças e, bem, ainda hoje eu estou errado, sabe? Acho que cada dia  erro de alguma forma com essas formas de falar, esses tenses. Então é um processo. É  um processo e eu estou consciente de que estou errado e aceito, né? Eu só procuro melhorar. Isso aí!  

Continuar estudando sempre, né Paul? E o que você teve mais facilidade para aprender?  Não é justo mas no meu caso diria a gramática foi o mais fácil porque  

bem conjugação por exemplo o conjugação entre espanhol e português lembra tanto. Não tem como  negar isso. Isso me facilitou bastante, sabe? Também pensando nos cognatos entre espanhol e português ajuda bastante. Interessante você falar isso. Eu tenho muito aluno com dificuldade em  

gramática, né? Porque a gramática do português é complexa. E até tem cognatos  falsos, né? Tipo borracha. Por exemplo entre os idiomas. Os “False Friends”, né?

Nesse aí, todo mundo cai. O seu espanhol é melhor? O que você acha? Eu te digo: tem sido um processo aqui .Eu durante, digamos, três, quatro anos eu falava tanto português que  acabou corrompendo o meu espanhol e agora que estou trabalhando  no México, eu ando procurando distinguir os dois idiomas melhor e talvez esse seja o desafio principal para mim com português: é dividir esses dois idiomas. Lá no seu trabalho 

você só tá falando de espanhol? Só Espanhol. Só que eu acabo falando “portunhol”, tadinhos. Nossa, Paul! Muito legal trabalhar com outro idioma. É muito legal, né? Paul, pra gente  finalizar eu queria que você desse uma dica para quem tá aprendendo português, para quem tá começando, para quem já é avançado… enfim dá uma dica para incentivar essa pessoa. Diria que  o mais importante é curtir. É porque realmente é um privilégio, sabe? Estudar idioma e ter  

acesso a isso. Muita pessoa nem sonha, né? Com essa oportunidade. Ou nem por algum motivo nem comecem  mexer então para pessoa que que têm acesso a isso e essa perspectiva realmente é um um presente, né? Um privilégio ter isso na na vida. E aproveitar, curtir e aproveitar ao máximo possível. Ótima dica, cara. Muito legal, Paul. Cara, parabéns. Parabéns pelo seu português. Meu Deus! Dá para ficar conversando aqui o tempo inteiro. Muito legal, Paul. Mais uma  

vez muito obrigado pelo seu tempo, tá bom? Muito obrigado por esse bate-papo. A gente  viu essa expressão esses dias, né? Foi, foi. Muito obrigado, tá bom Paul. Tá, obrigado a você como sempre Rodrigo e a gente se fala, né? A gente se fala. Até a próxima. Um abraço. Valeu Pessoal, muito obrigado por terem acompanhado essa entrevista eu espero que vocês tenham gostado e se você conhecer alguém que também seja apaixonado pelo Brasil ou que esteja Aprendendo Português Compartilha essa entrevista tá bom Até a próxima pessoal valeu tchau

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